sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Quarta

Sabia que não ia ser fácil mas vejo agora que vai ser muito mais difícil do que imaginava.

A mudança para a Pocariça , sem rede , vai levantar - me desafios que nem sequer consigo imaginar neste momento. Qualquer mudança é assim, penso , para me acalmar.

Nestas alturas sou um crente , porque endosso para um qualquer deus a responsabilidade de explicar o inexplicável e de decifrar o indistinto futuro. Peço - lhe ainda , a esse deus,  a colaboração no confuso e desorganizado presente.

Estou certo que foi em momentos como os que vivo , cuja caracterização sumária é de angústia , incerteza , espanto , desalento , tristeza , solidão e  , ao mesmo tempo , de confiança e esperança , que o homem criou a divindade. O nosso deus , o dos católicos , é uma outra história , uma história bem imaginada ,  bem contada é certo , mas posta em cena com muitas partes gagas , ambíguas , obscuras e iníquas.

Saio esbaforido e quase em pânico rumo a Coimbra , sob uma pressão enorme , alimentada pela solidão e atiçada pelos meus fantasmas . Tenho que sair ! Sinto - me sem ar.