terça-feira, 5 de janeiro de 2016

António Ribeiro - 4.1.16 (FB)

A MINHA HIPÓTESE DE DEUS
Acredito na hipótese de Deus, mas não acredito que Ele exista. A ideia de que evoluímos como espécie, muito por cima do nosso ecosistema, por causa d'Ele, aborrece-me por ser científica e filosoficamente inviável. Tomara eu!
Acredito que os humanos são também alforrecas, embora de dimensão superior. E que há demasiados mundos dentro do nosso mundo, e lá por fora da galáxia, para que Ele exista e se imponha a todos esse mundos e dimensões.
A ideia de religião é um conforto metafísico e dá sentido à vida, mas não passa de um consolo para quem sabe que vai morrer. Em termos cósmicos, a nossa vida pessoal é apenas um suspiro, de tão breve que é.
Sim, sou a favor dos valores humanistas universais, como a justiça, o amor, a bondade, o respeito, a igualdade, a caridade desinteressada. Sim, aceito que outros pensem diferentemente de mim.
Mas também reconheço duas coisas.
Uma, positiva, é que a ideia de Deus e de Cristo é enformadora da nossa civilização ocidental, baseada nos direitos humanos e na responsabilidade individual e social. Por isso perdoo as Cruzadas e as Inquisições e todos os exageros que hoje surpreendemos noutras crenças mais primárias, que não dão valor aos direitos humanos e ao papel das mulheres na sociedade .
Outra, negativa, é que a ideia de Deus continua a ser responsável pelas maiores barbáries morais e civilizacionais do mundo contemporâneo. Reflictam no que se passa actualmente em boa parte do mundo islâmico, que tão bem conheço por dentro.
A outra dimensão metafísica do ser humano não pode reconduzir-se a ideias de vingança, castigo, sofrimento e matança. Tem de habitar muito acima e muito mais à frente. Um Deus que castiga, que é vingativo, que parqueia as almas nos purgatórios imaginários, que corta cabeças, que invoca textos antigos para legitimar as mais bárbaras arbitrariedades é um Deus que não me interessa.
Aceito a hipótese metafísica de um Deus superior, que seja emanação do Homem e que o ajude a orientar-se por valores morais. Gosto muito da figura do Papa Francisco, que tanto tem feito por esta ideia difusa que é minha e que surgiu agora porque a Humanidade não aguenta tanta pressão do passado e tanta infelicidade no presente.
Valha-me Deus!