quinta-feira, 17 de março de 2016

Amor, Sexo


"Fui aconselhado a escrever mais sobre Sexo. Não por um editor apenas interessado em tirar partido do meu sex-appeal, que é razoável, mas pela via literária séria, partindo do princípio de que a escrita pode levar ao entumescimento e ao ingurgitamento, tanto como à náusea se a dose não sair na medida certa. Deitado na cama à etrusca pensei numa primeira abordagem sobre esta matéria de peso. Por exemplo, se o peso pode interferir com a fluidez, e na fluidez há todo um caudal de emoções. A perda de peso (nas partes certas) poderá levar a uma performance mais apurada? Ou, tal como um cantor lírico enxuto, dará azo a um fiasco, pois há coisas que é preciso porte? Importa o tamanho ou tudo é uma questão de arrumo e de encaixe certo? Como será o sexo no século XXIII? Ou no LVI? E o Amor, onde cabe? Unir as partes (o sexo e o amor) é uma aspiração mais feminina ou também se apresta aos homens sentimentais? Não se pede amor, carinho, tal como não é de bom tom pedir-se sexo como quem pede uma bolacha. O amor (intenso, maduro), não o amor possessivo, caprichoso e narcisista, nasce de um concílio, de um enigma físico-químico, tal como uma boa trolitada (digamos assim). Para se chegar ao amor, pode muito bem ter que se passar pelo sexo e vice-versa, como dois números invertidos em forma de cisne."

Tiago Salazar , FB, 16MAR16