quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Encontro com o passado

Já passava bem das duas da manhã quando se levantou da cadeira que o sustentava há mais de três horas e foi com dificuldade física que o fez. Naquele curto espaço de tempo em que ali esteve sentado,pareceu-lhe ter envelhecido uns anos , tais eram as dores sentidas quando , depois das despedidas feitas, caminhou até ao carro estacionado bem perto da casa de onde acabara de sair. Talvez tivessem sido os inúmeros cigarros fumados ou então fora a mistura de bebidas que fizera do jantar em diante , a verdade é que se sentia velho , muito velho mesmo. A par dessa incómoda sensação , uma terrível dor de cabeça mal o deixava raciocinar. Não obstante , lá alcançou o carro e conduziu  até casa sem qualquer sobressalto. Pelo menos , não estava o frio das duas noites anteriores , o que já não era mau de todo.
Percebeu mais tarde e mais uma vez as intermitências fracturantes que a sua vida tivera. Principalmente os amigos que deixou de ver sem que para tal encontrasse uma razão razoável , digamos assim. Acontece amiúde , sabia , mas com ele acontecera quase sempre , como uma norma , um padrão , do seu carácter. A estranheza , angustiante , era a da impossibilidade de remediar esse grande erro ( o tempo não volta atrás . É impossível recuperá-lo ! ) de ter deixado de ver as pessoas com quem um dia conviveu e de quem gostou. Algo dolorosa essa inexplicabilidade !