quarta-feira, 25 de julho de 2018

Não sei que horas eram. Podia ser uma qualquer hora , pouco importava. A noite já há muito tinha caído , isso eu sabia. Entrámos em silêncio e dirigimo-nos para a pequena saleta , logo ao lado da sala de jantar , onde vejo televisão e onde costumo sentar-me a ler . Os cabelos lisos , soltos , perfumados e pretos , roçaram a minha face quando nos aproximámos da entrada e a deixei passar à minha frente . O frémito causado foi de tal ordem que foi como se o universo tivesse parado por uns milésimos de segundo. Quis comunicar-lhe a imensa alegria que era ali estar a sós com ela e como o mundo se transformava sempre que estava a seu lado mas fiquei mudo.Não durou muito o silêncio uma vez que de seguida comecei a falar do que tinha feito durante o dia , das últimas notícias e do tempo que fizera , para disfarçar o nervosismo e o embaraço cruel de um tímido. Enchi o espaço de trivialidades anódinas enquanto não encontrei a oportunidade certa para lhe dizer o que por ela sinto. Li e reli , nos movimentos das suas mãos , o que por certo eles verdadeiramente não diziam. Mãos elegantes magnetizam-me. A certa altura o seu bailado torna-se mais importante que a voz que o acompanha . As mãos são porventura mais reveladoras da personalidade que o olhar ou o sorriso uma vez que é mais difícil disfarçar o que ao corpo está ligado do que aquilo que se pode ir educando e treinando ao longo da vida. Telefonou à sua amiga Margarida enquanto eu tirei um café mas a chamada não foi atendida e continuámos a conversa