terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Buraco Negro
Os meus pensamentos navegam desorganizados pelo oceano etéreo do desconhecido sem que consiga dar-lhes um rumo que me apazigúe a alma.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
quasi
de novo , a velha solidão toma conta de mim . a dor grave , grossa e densa , espalha-se como câncer por todas as células do meu corpo , destruindo-me a alma .
Quase , quasi. Mário de Sá Carneiro
Quase , quasi. Mário de Sá Carneiro
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além
Para atingir, faltou-me um golpe de asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...
Assombro ou paz ? Em vão ... Tudo esvaído
Num grande mar enganador d´espuma;Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além
Para atingir, faltou-me um golpe de asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...
Assombro ou paz ? Em vão ... Tudo esvaído
Num grande mar enganador d´espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor ! - quasi vivido ...
Quasi o amor, quase o triunfo e a chama,
Quasi o princípio e o fim - quasi a expansão ...
Mas na minh´alma tudo se derrama ...
Entanto nada foi só ilusão !
De tudo houve um começo ... e tudo errou ...
- Ai a dor de ser-quasi, dor sem fim ...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou ...
Momentos de alma que desbaratei ...
Templos aonde nunca pus um altar ...
Rios que perdi sem os levar ao mar ...
Ânsias que foram mas que não fixei ...
Se me vagueio, encontro só indícios ...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos d' heroi, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios ...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí ...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi ...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe d´asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor ! - quasi vivido ...
Quasi o amor, quase o triunfo e a chama,
Quasi o princípio e o fim - quasi a expansão ...
Mas na minh´alma tudo se derrama ...
Entanto nada foi só ilusão !
De tudo houve um começo ... e tudo errou ...
- Ai a dor de ser-quasi, dor sem fim ...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou ...
Momentos de alma que desbaratei ...
Templos aonde nunca pus um altar ...
Rios que perdi sem os levar ao mar ...
Ânsias que foram mas que não fixei ...
Se me vagueio, encontro só indícios ...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos d' heroi, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios ...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí ...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi ...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe d´asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Inverno suave mas non troppo
Cai , a chuva miudinha,quase em silêncio!
Mansa e suave , prende - me em casa , inquieto.
Mansa e suave , prende - me em casa , inquieto.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
angústia , que porra de angústia
Sinto que a distancia que me separa de mim mesmo aumenta e diminui sem que eu seja capaz de ter sobre isso algum controlo.
e é o sobressalto inquietante que fica e vai cavando fundo ,
uma angústia tormentosa que faz do tempo , cinza , pó ...
e lágrimas esquecidas querem retornar à face que um dia as viu partir.
e é o sobressalto inquietante que fica e vai cavando fundo ,
uma angústia tormentosa que faz do tempo , cinza , pó ...
e lágrimas esquecidas querem retornar à face que um dia as viu partir.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Eusébio
Eusébio morreu hoje.
Incontornável figura do mundo português , do futebol em particular , ultrapassou fronteiras e foi um pedacinho de nós em muitos cantos do globo. Eusébio e Amália , foram , durante muito tempo , das nossas figuras maiores , mais conhecidas e amadas , tanto cá dentro como lá fora.
As televisões nacionais passaram (e passam) longas peças panegíricas que fazem chorar até as pedras da calçada. Merecidas , sem dúvida , mas um tanto exageradas como é nosso timbre , aliás , em ocasiões idênticas.
R.I.P.
Incontornável figura do mundo português , do futebol em particular , ultrapassou fronteiras e foi um pedacinho de nós em muitos cantos do globo. Eusébio e Amália , foram , durante muito tempo , das nossas figuras maiores , mais conhecidas e amadas , tanto cá dentro como lá fora.
As televisões nacionais passaram (e passam) longas peças panegíricas que fazem chorar até as pedras da calçada. Merecidas , sem dúvida , mas um tanto exageradas como é nosso timbre , aliás , em ocasiões idênticas.
R.I.P.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Natal
Definitivamente , não gosto do Natal e não gosto porque tenho que conviver com pessoas de família que não suporto.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Família
O meu pai perdeu a mãe quando ainda não tinha um ano de idade. Esse acontecimento trágico marcou - lhe a vida para sempre. Mas marcou a minha também.
Ele e o irmão , meu tio , foram criados pelo avô , com a ajuda de uma governanta/preceptora , uma vez que o pai , após a morte da mulher , não teria tido , porventura , condições para o fazer.Tanto quanto sei , o meu bisavô , depois de uma atribulada ida para o Brasil , retornou com algumas posses , o que permitiu aos dois irmãos terem , por algum tempo ,uma vida despreocupada e desafogada do ponto de vista material. O pai deles , meu avô , que não conheci , teve alguns azares e contratempos nos negócios e acabou a vida , segundo consta , com bastantes dificuldades financeiras e que terá tido consequências posteriormente na vida do meu pai.
A história deste lado da minha família é para mim pouco clara e algo nebulosa uma vez que o meu pai pouco falava do seu passado. O pouco que conheço fica a dever - se a relatos esparsos ouvidos à minha mãe , outros tantos escutados às minhas primas directas e alguns a um ou outro familiar mais afastado que , de quando em vez, quando se proporcionam as circunstancias , fala do assunto.
Eu próprio , quer se fique a dever a características de personalidade ou se responsabilize o enquadramento familiar , nunca interroguei muito sobre a genealogia da família , tendo - me posto , portanto , um pouco de parte acerca das venturas e desventuras que aconteceram , como sempre acontecem em todas as famílias.
Ele e o irmão , meu tio , foram criados pelo avô , com a ajuda de uma governanta/preceptora , uma vez que o pai , após a morte da mulher , não teria tido , porventura , condições para o fazer.Tanto quanto sei , o meu bisavô , depois de uma atribulada ida para o Brasil , retornou com algumas posses , o que permitiu aos dois irmãos terem , por algum tempo ,uma vida despreocupada e desafogada do ponto de vista material. O pai deles , meu avô , que não conheci , teve alguns azares e contratempos nos negócios e acabou a vida , segundo consta , com bastantes dificuldades financeiras e que terá tido consequências posteriormente na vida do meu pai.
A história deste lado da minha família é para mim pouco clara e algo nebulosa uma vez que o meu pai pouco falava do seu passado. O pouco que conheço fica a dever - se a relatos esparsos ouvidos à minha mãe , outros tantos escutados às minhas primas directas e alguns a um ou outro familiar mais afastado que , de quando em vez, quando se proporcionam as circunstancias , fala do assunto.
Eu próprio , quer se fique a dever a características de personalidade ou se responsabilize o enquadramento familiar , nunca interroguei muito sobre a genealogia da família , tendo - me posto , portanto , um pouco de parte acerca das venturas e desventuras que aconteceram , como sempre acontecem em todas as famílias.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Passagem do tempo
Agora que me encontro com 54 anos , percebo como o tempo passa a uma velocidade enorme , contrariando cruelmente a sensação , tantas vezes repetida , da lentidão na passagem das horas que outrora tinha .
Interrogo - me , simultaneamente , de como fui e sou capaz de desperdiçar tanto tempo ou com coisa nenhuma ou com receio de viver.
Interrogo - me , simultaneamente , de como fui e sou capaz de desperdiçar tanto tempo ou com coisa nenhuma ou com receio de viver.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Deficiências
É fácil atirar as culpas do que está mal na nossa vida , para os outros. Há uma dificuldade em admitir os próprios erros que enviesa a análise da situação em que nos encontramos.É muito fácil esquecer onde e quando errámos.É muito mais fácil pensar e dizer que a responsabilidade não é nossa mas é dos outros.
domingo, 27 de outubro de 2013
Instantes.
A coisa é assim: a vida não é como a imaginamos.Nada acontece como alguma vez sonhámos. Além disso a vida é boa a pregar partidas e nós somos , a grande maioria das vezes , os nossos maiores adversários.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Raquel
São horas , pensei. O meu cão levanta a cabeça como se procurasse algo e volta de novo à posição inicial.
São horas .
São horas .
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