Excertos da crónica de Alberto Gonçalves , publicada na Sábado de Janeiro 05, 2016
«Se alguém pode lutar contra a sida e descobrir uma cura, sou eu." A frase é do actor americano Charlie Sheen...»
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«...Depois disto, não surpreenderia ninguém ver a macaca do Tarzan avançar novidades acerca da conjectura de Hadwiger...»
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...«Sucede que, por um lado, a "publicidade enganosa" é quase um pleonasmo...
...alguém sinceramente acha que o perfume X transforma a esposa na Charlize Theron...»
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«Desde logo, enveredar pelo abolicionismo das intrujices implicaria não nos limitarmos a maçar a intérprete da Desfolhada e a empresa que lhe paga. O que fazer com as multidões de videntes, cartomantes, tarólogos e prestidigitadores cujas recomendações sobre emprego, amor e saúde (sim, saúde) animam as manhãs televisivas e as esperanças suburbanas?»
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«E que destino dar às ervanárias e respectivas infusões milagrosas? E com que cara se admitem devaneios em redor da homeopatia e das mezinhas "chinesas", que o Bloco de Esquerda ambiciona consagrar? A propósito, permitir a existência do BE, do PCP e do socialismo em geral não é legitimar o abuso da crendice alheia? Prometer felicidade e espalhar miséria não configura no mínimo um crime de burla, para cúmulo repetido durante décadas? »
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«Se me perguntam, respondo que "sim". E justamente porque nem todos concordam, a resposta às proibições é "não". »
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«Mas há lugares sinistros, quiçá do tamanho de um país, onde os trapaceiros mandam.»
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
domingo, 10 de janeiro de 2016
da pessoa humana...
«Confio na frontalidade tanto quanto desconfio de estar bem com deus e o diabo. Quem não sabe aprende, é questão de tempo, já isso de estar bem com deus e o diabo, como diria algum popular, vai muito da pessoa humana.»
( Excerto de artigo de Alexandra Lucas Coelho , publicado no Público de 10.01.2016 - "Declaração de voto & inimputáveis" )
( Excerto de artigo de Alexandra Lucas Coelho , publicado no Público de 10.01.2016 - "Declaração de voto & inimputáveis" )
Símbolo de Vénus (Na Biologia, o sexo feminino)
É uma representação simbólica de um espelho na mão da deusa Vénus ou um símbolo abstracto para esta deusa: um círculo com uma pequena cruz equilateral em baixo. O símbolo de Vénus também representa a feminidade e na antiga alquimia representava o Cobre. Os alquimistas compunham o símbolo com um círculo (que representa o espírito) acima de uma cruz equilateral (que representa a matéria).
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vé·nus
(latim Venus, -eris,
substantivo masculino
1. Segundo planeta do sistema solar, cuja órbita se situa entre Mercúrio e a Terra. [É o astro mais brilhante do céu depois do Sol e da Lua, visível quer ao amanhecer quer ao anoitecer.] (Com inicial maiúscula). = ESTRELA DA MANHÃ, ESTRELA DA TARDE
substantivo feminino
2. Mulher de grande beleza.
3. Representação artística da deusa Vénus .
4. [Zoologia ] Género de moluscos lamelibrânquios.
5. [Antigo] [Química ] O mesmo que cobre.
"vénus", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/v%C3%A9nus [consultado em 10-01-2016].
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Marcelo
A MINHA VERDADE SOBRE O PROFESSOR MARCELO
O candidato Marcelo está em evidente desaceleração de popularidade. Anda a fazer-se de morto, mas para se escolher um morto de direita a direita tem sempre o Dr. Salazar, de cujo passamento ainda não se recompôs. Marcelo é um porreirão simpático, mas o Ricardo Araújo Pereira também o é e nem por isso íamos elegê-lo. Os Media já perceberam que ele não vende tanto quanto supunham, mesmo que leve a Judite debaixo de um braço e o Cristi...ano Ronaldo debaixo do outro. Marcelo é inteligente, mas é um inteligente não confiável. Só no meu bairro conheço para aí uns dez como ele. Iria ter várias ideias diferentes por semana para o mesmo assunto, sendo a primeira ideia uma ideia da Judite, a segunda uma ideia do Passos e... a décima ideia a da última sondagem da TVI ou do Expresso. Ele ia voltar ao comentário político, que eu raramente lhe perdia, mas só que agora seria feito debaixo da bandeira nacional e a coisa não teria piada nenhuma. É bem verdade que ele é amigo de toda a gente, mas é daquelas amizades que só duram até ao momento em que a câmara de televisão se desliga. Ele suscita tanta esperança aos Portugueses como o Lopetegui aos Portistas e ele é tão fiel a Portugal como o Jorge Jesus o foi ao Benfica. Ele é a favor do resgate ao Banif e contrário ao mesmo, tudo depende do que lhe convenha, do patrão do banco e de ele lá ter o seu rico dinheirinho ou não. Amigo, amigo ele é mesmo é do Carlos Costa, o (des)governador do Banco de Portugal. A amizade dele pelo Ricardo Salgado é uma espécie de coitus-interruptus, agora está em stand-by mas havia de ir até ao fim quando o tal PR que nunca chegará a ser resolvesse indultar o Dono Disto Tudo já no próximo Natal. Ele é muito amigo de Cavaco Silva mas agora nem quer ouvir falar do Velho (nem o Velho dele, verdade seja dita). O homem assegura que se vai dar bem com António Costa, mas isso é coisa para durar para aí uma semana menos seis dias. O homem é hipocondríaco, mas não é doente das constipações, é mais doente do carácter, que já nasceu em coma. Marcelo é um falsete na política que finge ser um barítono político. Mas o que de facto ele é, é o fantasma da Ópera, e nós, que nem sequer o elegemos, já não podemos mais com ele. Imaginem daqui a dez anos, depois de mais umas centenas de trapalhadas, de mentiras e de esquecimentos!. Oiçam lá, não estamos todos fartinhos do Cavaco? Então para quê eleger um tipo que gostava de ser como o Velho, mas ia usar chapéu de palhaço?
António Ribeiro , FB 7.1.16
Esquerda
A esquerda entrou no caminho da despersonalização das sociedades ocidentais, como se de um suicídio intelectual colectivo se tratasse. A esquerda é, hoje em dia, um fenómeno de psico-patologia
(Comentário de Freitas João Pedro a um post de Jorge Costa - FB 6/1/16 )
(Comentário de Freitas João Pedro a um post de Jorge Costa - FB 6/1/16 )
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
António Ribeiro - 4.1.16 (FB)
A MINHA HIPÓTESE DE DEUS
Acredito na hipótese de Deus, mas não acredito que Ele exista. A ideia de que evoluímos como espécie, muito por cima do nosso ecosistema, por causa d'Ele, aborrece-me por ser científica e filosoficamente inviável. Tomara eu!
Acredito que os humanos são também alforrecas, embora de dimensão superior. E que há demasiados mundos dentro do nosso mundo, e lá por fora da galáxia, para que Ele exista e se imponha a todos esse mundos e dimensões.
A ideia de religião é um conforto metafísico e dá sentido à vida, mas não passa de um consolo para quem sabe que vai morrer. Em termos cósmicos, a nossa vida pessoal é apenas um suspiro, de tão breve que é.
Sim, sou a favor dos valores humanistas universais, como a justiça, o amor, a bondade, o respeito, a igualdade, a caridade desinteressada. Sim, aceito que outros pensem diferentemente de mim.
Mas também reconheço duas coisas.
Uma, positiva, é que a ideia de Deus e de Cristo é enformadora da nossa civilização ocidental, baseada nos direitos humanos e na responsabilidade individual e social. Por isso perdoo as Cruzadas e as Inquisições e todos os exageros que hoje surpreendemos noutras crenças mais primárias, que não dão valor aos direitos humanos e ao papel das mulheres na sociedade .
Outra, negativa, é que a ideia de Deus continua a ser responsável pelas maiores barbáries morais e civilizacionais do mundo contemporâneo. Reflictam no que se passa actualmente em boa parte do mundo islâmico, que tão bem conheço por dentro.
A outra dimensão metafísica do ser humano não pode reconduzir-se a ideias de vingança, castigo, sofrimento e matança. Tem de habitar muito acima e muito mais à frente. Um Deus que castiga, que é vingativo, que parqueia as almas nos purgatórios imaginários, que corta cabeças, que invoca textos antigos para legitimar as mais bárbaras arbitrariedades é um Deus que não me interessa.
Aceito a hipótese metafísica de um Deus superior, que seja emanação do Homem e que o ajude a orientar-se por valores morais. Gosto muito da figura do Papa Francisco, que tanto tem feito por esta ideia difusa que é minha e que surgiu agora porque a Humanidade não aguenta tanta pressão do passado e tanta infelicidade no presente.
Valha-me Deus!
Paula Maldobnado - 30.12.2015 (FB)
Agradecimento e votos de um excelente Ano Novo(.Carta de um amigo especialmente querido)
-Aos que me entenderam, aos que me fizeram rir, aos que choraram comigo, aos que me ensinaram tudo o que não sabia e que estão sempre disponíveis, aos que me abraçaram, aos que me socorreram, aos que me incentivaram, aos que trabalharam comigo para sucessos comuns, aos que me olharam nos olhos e disseram que errei, aos que aplaudiram quando cumpri bem uma missão, aos que me empurram para a frente quando vacilo, aos que confiaram em mim, aos que me fazem sentir bem-vindo todos os dias, aos que repartem comigo alegrias e tristezas, aos que me são leais porque sabem que sou leal, aos que não me mentem, aos que não me bajulam, aos que me berram quando é preciso, aos que sabem ler a minha alma nos meus olhos, aos que entendem as minhas dores, aos que esperam por mim quando desço aos escadas devagar, aos que partilham cumplicidades, aos que aturam o meu mau feitio, aos que sabem que não sou de rancores, aos que respeitam os meus cabelos brancos e os dias maus, aos que não vão desistir de mim e aos que poderei desiludir. Obrigado. Que o vosso Ano Novo seja tudo isto e tudo o mais que vos possa fazer mais felizes e, ainda mais saudáveis.
Bem hajas pela tua delicada delicadeza comigo e, que assim possamos continuar, sempre, pela vida fora!
Votos de um Bom Ano Novo, extensivo a todos os que te são
muito queridos.Beijo
Bem hajas pela tua delicada delicadeza comigo e, que assim possamos continuar, sempre, pela vida fora!
Votos de um Bom Ano Novo, extensivo a todos os que te são
muito queridos.Beijo
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Roubado a Daniel Zamith Abreu FB , 4 Jan 2016
Existe uma coisa vaga e misteriosa chamada a atitude perante a vida.
Todos conhecemos pessoas que estão em conflito com a existência; pessoas infelizes que nunca conseguem o que querem; que estão desorientadas, a queixarem-se, que olham a vida de um ângulo desconfortável que as faz ver tudo de esguelha.
E depois há outras que, embora dêem a impressão de estar perfeitamente satisfeitas, parecem ter perdido o contacto com a realidade. Não se interessam por nada a não ser as v...icissitudes da sua própria saúde e os altos e baixos do pretensiosismo social.
Todos conhecemos pessoas que estão em conflito com a existência; pessoas infelizes que nunca conseguem o que querem; que estão desorientadas, a queixarem-se, que olham a vida de um ângulo desconfortável que as faz ver tudo de esguelha.
E depois há outras que, embora dêem a impressão de estar perfeitamente satisfeitas, parecem ter perdido o contacto com a realidade. Não se interessam por nada a não ser as v...icissitudes da sua própria saúde e os altos e baixos do pretensiosismo social.
Há, contudo, outras que por natureza ou por força das circunstâncias, se colocam numa posição em que podem usar ao máximo as suas faculdades nas coisas que são realmente importantes. Não são necessariamente pessoas felizes ou de sucesso, mas a sua presença é estimulante e as suas acções interessantes. Parecem, além disso, palpitar de vida, o que pode dever-se em parte às circunstâncias, mas muito mais ao facto de não verem as coisas do ângulo errado, todas de esguelha, distorcidas pela bruma, mas sim escorreitas, a direito e com as proporções certas;
Virginia Wolf, in "A Poesia, a Ficção e o Futuro".
Virginia Wolf, in "A Poesia, a Ficção e o Futuro".
Charutos
E diz Romeu a Julieta: Senhora, Monte, Cristo, Monte... não se Cohiba...
( lido num comentário no FB )
( lido num comentário no FB )
domingo, 3 de janeiro de 2016
Roubado a :365forte.blogs.sapo.pt
«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset
sábado, 2 de janeiro de 2016
"Amanhã" - Miguel Esteves Cardoso / Público de 31.12.2015
Nós não mudamos, 2016. Mas tu vais tentar mudar-nos
Com que então é amanhã que começas tu, 2016... Diz-nos lá que gracinhas é que estás a preparar para a gente, vá.
Que tragédias novinhas tens tu na manga? Com que esperados e inesperados horrores tencionas tu fazer-nos desejar que acabes depressa e deixes avançar o raio do ano de 2017?
Caso se repetissem as desgraças de 2015 estaríamos nós mais preparados para impedi-las, minimizá-las ou aprender fosse o que fosse com elas? Ou não?
Porque não aprendemos já que o futuro nunca chega a acontecer e que basta ir aos jornais do fim de 1915 ou 1965 para percebermos que o presente é ainda mais difícil de sacudir do que o passado?
Nós não mudamos, 2016. Mas tu vais tentar mudar-nos. Vais-nos dar até a sensação de estarmos sempre a mudar, como se fôssemos capazes de acompanhar os acontecimentos que nos caem em cima ou, se tivermos boa sorte, ao lado.
Não serás tu, ano novo só de nome, que nos protegerás da indiferença, do egoísmo e da mania que temos razão e que sabemos o que andamos aqui a fazer.
Não poderíamos trocar as tuas cada vez menos aliciantes incertezas por uma simples repetição de dois ou três momentos bons de 2015? Ou um até? Ou nenhum?
Cada vez a novidade encanta-nos mais durante um tempo cada vez mais pequeno. Com cada ano que passa a novidade engana-nos menos. E aproxima-nos mais da verdade que mais temíamos: a nossa.
Começa lá tu então amanhã, 2016. Não queiras fingir que começamos contigo. E, enquanto puderes, deixa-nos em paz.
Com que então é amanhã que começas tu, 2016... Diz-nos lá que gracinhas é que estás a preparar para a gente, vá.
Que tragédias novinhas tens tu na manga? Com que esperados e inesperados horrores tencionas tu fazer-nos desejar que acabes depressa e deixes avançar o raio do ano de 2017?
Caso se repetissem as desgraças de 2015 estaríamos nós mais preparados para impedi-las, minimizá-las ou aprender fosse o que fosse com elas? Ou não?
Porque não aprendemos já que o futuro nunca chega a acontecer e que basta ir aos jornais do fim de 1915 ou 1965 para percebermos que o presente é ainda mais difícil de sacudir do que o passado?
Nós não mudamos, 2016. Mas tu vais tentar mudar-nos. Vais-nos dar até a sensação de estarmos sempre a mudar, como se fôssemos capazes de acompanhar os acontecimentos que nos caem em cima ou, se tivermos boa sorte, ao lado.
Não serás tu, ano novo só de nome, que nos protegerás da indiferença, do egoísmo e da mania que temos razão e que sabemos o que andamos aqui a fazer.
Não poderíamos trocar as tuas cada vez menos aliciantes incertezas por uma simples repetição de dois ou três momentos bons de 2015? Ou um até? Ou nenhum?
Cada vez a novidade encanta-nos mais durante um tempo cada vez mais pequeno. Com cada ano que passa a novidade engana-nos menos. E aproxima-nos mais da verdade que mais temíamos: a nossa.
Começa lá tu então amanhã, 2016. Não queiras fingir que começamos contigo. E, enquanto puderes, deixa-nos em paz.
"O país dos saqueadores " de Daniel Adrião ( revista Sábado de 31.12.2015)
Dezembro 31, 2015
Foi preciso esperar até ao final de 2015 para que os portugueses finalmente descobrissem as verdadeiras razões que os levou a ter de cumprir uma pena de quatro anos e meio de trabalhos forçados. Hoje é claro que os penosos sacrifícios a que os portugueses foram condenados, sem apelo nem agravo, se destinaram a pagar as operações de saque perpetradas por um bando de malfeitores e fora-de-lei, financiado por um sistema bancário sem rei nem roque.
Agora percebe-se melhor a sangria desatada dos banqueiros, quando em Maio de 2011, para salvar a sua própria pele, forçaram o país a uma rendição incondicional aos credores, fazendo um xeque-mate ao então governo, provocando uma crise política sem precedentes e criando as condições propicias para a subida ao poder de um governo que teve como principal missão culpabilizar os portugueses pela crise do sistema bancário e colocar-lhes em cima a canga dos prejuízos.
Depois do BPN, do BPP e do BES, foi preciso esperar pelo Natal pós-PàF, para que nos saísse na rifa a fava do Banif. Uma conta de 3 mil milhões de euros de prejuízos causados por uma gestão ruinosa, cuja falência foi deliberadamente ocultada e empurrada para depois das eleições e que atingiu foros de tal escândalo, que o próprio Presidente do Loyds Bank, Horta Osório, veio a terreiro exigir uma auditoria externa à governação do banco. Mas o problema maior é que as más notícias podem não ter sido ainda todas dadas, uma vez que há fortes desconfianças que haja mais "esqueletos escondidos no armário" do sistema financeiro português. Isto é, pode haver mais bancos falidos fechados no cofre-forte do Banco de Portugal à espera da melhor oportunidade para pedir resgate.
Até ver, a factura paga pelos contribuintes para salvar o sistema bancário já vai em mais de 13 mil milhões de euros. Um valor que é sensivelmente o dobro de tudo o que foi espoliado aos portugueses só em cortes nos salários e nas pensões ao longo dos últimos quatro anos e meio.
Até ver, a factura paga pelos contribuintes para salvar o sistema bancário já vai em mais de 13 mil milhões de euros. Um valor que é sensivelmente o dobro de tudo o que foi espoliado aos portugueses só em cortes nos salários e nas pensões ao longo dos últimos quatro anos e meio.
Mas os portugueses ficaram esta semana a saber, que contrariamente àquilo que lhes tinham feito crer, não é forçoso que a falência dos bancos tenha de ser integralmente paga pelos bolsos dos contribuintes. A decisão tomada esta semana de chamar os grandes investidores do BES, até agora a salvo, a pagar parte dos prejuízos do banco, para que os pequenos investidores possam ser ressarcidos das suas perdas, é a prova de que é possível evitar que seja sempre o justo a pagar pelo pecador.
De uma coisa não restam dúvidas, o pais tem vindo a ser copiosamente saqueado, quer interna quer externamente ao longo destes últimos anos. O resgate que nos foi imposto pelo sindicato dos banqueiros, tem-se vindo a revelar um negocio chorudo para os credores. Este ano a troika de credores vai receber, só em juros, quase 9 mil milhões de euros. Isto é, cerca de 5% do PIB. O que faz de Portugal o país da União Europeia que mais gasta com juros em percentagem do PIB. Mais do que a própria Grécia.
De uma coisa não restam dúvidas, o pais tem vindo a ser copiosamente saqueado, quer interna quer externamente ao longo destes últimos anos. O resgate que nos foi imposto pelo sindicato dos banqueiros, tem-se vindo a revelar um negocio chorudo para os credores. Este ano a troika de credores vai receber, só em juros, quase 9 mil milhões de euros. Isto é, cerca de 5% do PIB. O que faz de Portugal o país da União Europeia que mais gasta com juros em percentagem do PIB. Mais do que a própria Grécia.
Talvez assim seja mais fácil de compreender porque razão Portugal é, segundo a OCDE, um dos países mais pobres e desiguais do mundo. E já não são só as organizações internacionais a dizê-lo, são também os próprios bancos.
De acordo com um estudo recente do banco americano Morgan Stanley, Portugal é o campeão da desigualdade entre os países desenvolvidos. Entre os 20 países que foram estudados, Portugal é aquele que regista os maiores índices de desigualdade, por obter classificações negativas em praticamente todas as componentes do índice, que mede, designadamente: a desigualdade na distribuição do rendimento; a dispersão salarial, que leva em conta factores como a variação real dos salários ou a desigualdade de género; a inclusão no mercado de trabalho, que leva em conta factores como o desemprego jovem, o trabalho parcial involuntário ou o desemprego dos mais qualificados; os serviços de saúde fornecidos à população; e o acesso à economia digital.
Para aqueles que possam estar preocupados com o eventual impacto negativo que a recente decisão de fazer os grandes investidores pagar os prejuízos do BES, possa ter na atração de investimento estrangeiro para Portugal, é bom que saibam que o que diz o estudo do Morgan Stanley é que os níveis de desigualdade de um país contam para as opções de investimento. O que segundo o banco, se explica pelo facto de a desigualdade alterar a distribuição do consumo e das poupanças, assim como da alocação dos recursos. Segundo alerta o estudo do banco americano: "Se a distribuição é demasiado desigual ao longo do tempo, com uma diferença crescente e persistente entre os que estão no topo e na base da escala, impede a participação generalizada nos ganhos de bem-estar com o crescimento e, a prazo, arrisca-se a corroer a estrutura económica e social de um país". Os analistas do banco alertam ainda para a possibilidade de ocorrência de disrupções nos modelos de negócios e no consenso social, conduzindo a erros de política.
Quando bancos como o Morgan Stanley, insuspeitos de simpatias keynesianas, afirmam preto no branco que a desigualdade é inimiga do investimento e que Portugal está no topo da escala, percebemos melhor o efeito devastador que teve no país a mono-agenda de empobrecimento que marcou os últimos quatro anos e meio.
É por isso tudo isto, que depois do que se passou recentemente com o Banif, ninguém estará disponível para voltar a aceitar que mais dinheiro dos espoliados contribuintes sirva para salvar bancos. Daqui para a frente os saqueadores vão ter de ser obrigados a pagar o prejuízo dos bancos com o produto do saque. Vão ter de aprender que a vida custa a todos, principalmente aos mais pobres.
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