domingo, 11 de dezembro de 2011

Domingo

Um dia cinzento e sem graça a juntar a uns tantos outros que tenho tido ultimamente.

Interrogo - me com alguma ansiedade como vou sair desta situação e não encontro uma resposta , nem vislumbro qualquer saída.

A falta de animo apoderou-se de tal forma de mim que parce ser mais um cobertor quente do que uma fria paragem de autocarro num dia de inverno.Parece que me quer agarrar ao invés de eu o querer largar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Beco sem saída?

Ao longo da vida já tive momentos em que me senti encostado às cordas, quer dizer , em que me senti sem saída , digamos que , encurralado.

É o que sinto neste preciso momento , neste primeiro dia de Dezembro , em que apesar de não estar um frio de rachar , o tempo não convida própriamente a sair de casa.

Não sei o que fazer com a minha vida. Esse é o grande problema.

Devolvi , com grande desgosto , o Bogas o que foi certamente mais um acto que reflecte o meu actual estado de indecisão relativamente a quase tudo. Além disso ,a casa ficou mais vazia, perdeu vida e eu , uma companhia.

No sábado passado tive uma conversa curta mas marcante com o Carlos Canoto sobre as contas relacionadas com os trabalhos que ele aqui tem feito. Desconfio que nada mais será como dantes o que pode ser mau e prejudicial para a manutenção quer do Forte quer da Ladeira, as propriedades da familía.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Porto

Dormi directo como há muito não acontecia. Efeito do ansiolítico , efeito das conversas tidas horas antes quer com o psicólogo quer depois com os psiquiatras na urgência do hospital.Não sei.Sei que não me levantei como normalmente acontece.

Mas as coisas não começaram exactamente da melhor forma. O desiquilibrio é algum e fui perdendo a tranquilidade à medida que o tempo passou.Quando a São aqui chegou não estava totalmente calmo.Alguma ansiedade cresceu por razões várias , uma delas o meu pequenino cachorrito , com quem me preocupo demais, é certo.

Podia e devia ter dado à volta mas fui - me um pouco abaixo . A viagem não correu mal de todo mas uma série de obsessões foram surgindo à medida que o dia foi passando e houve momentos em que me senti muito incomodado e indisposto, cheio de impaciência

Urgência

É para ontem - disse-me com convicção.
Recostei - me no sofá e fiquei com as palavras dentro de mim, em silêncio.
É a sua vida que está em jogo . Se eu estivesse no seu lugar , acho que não tinha nada mais importante com que me preocupar , era mesmo a minha principal prioridade - afirmou ainda mais energicamente e , um pouco depois , continuou: já que veio até aqui , anda um pouco mais e vai já à urgência do hospital.

Saí um pouco atarantado , não muito mais do que estava , é verdade , e  , quase como um autómato, consciente contudo de que era minha vontade , conduzi o carro, com precaução redobrada , até às urgências ; mesmo assim , alguma  incerteza pairou ainda nos meus pensamentos mas a noção precisa da real necessidade da minha deslocação , foi mais forte e , com custo , lá consegui chegar e encontrar um lugar para estacionar no meio do emaranhado que é todo aquele hospital também no exterior.

O Benfica jogava ou ia jogar com o Man United e isso foi - me favorável. Menos gente na triagem muito menos gente para a especialidade a que recorri - a psiquiatria - e por isso , ao invés de ser «despachado» em dez ou vinte minutos , estive quase uma hora e meia comunicando as minhas angústias e fobias , o meu mitigado desespero , ouvido pacientemente , primeiro por um médico sénior e depois pela sua assistente , uma mulher ainda jovem , interessante e bonita  , com uns óculos pretos , de massa , a fazer lembrar uma intelectual activa ou professora engajada , que , com profissionalismo,calma e atenção me foi ouvindo , me foi interpelando e explicando o que comigo se está a passar. Ao mesmo tempo,com uma agilidade elegante e discreta ia dedilhando no computador o que eu dizia , imagino que de forma sintética para futuro acompanhamento em consulta.

Vim mais aliviado mas percebendo que tenho um difícil caminho pela frente.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Deserto

Apesar da chuva que tem caído , continuno a minha travessia do deserto , a duras penas , com momentos de silenciosa exasperação e de cortante angústia.

O " BOGAS"  , cachorrito que na passada sexta-feira resgatei a um eventual fim trágico ,veio dar uma «animação» à minha conturbada existência mas tem trazido aqui e ali alguma ansiedade e uns tantos incómodos nomeadamente os que se prendem com a limpeza daquilo que os seus ainda não educados esfíncteres deixam sair um pouco por todo o lado da casa.

domingo, 20 de novembro de 2011

Espanha

Mariano Rajoy acaba de ganhar as eleições em Espanha. É quase uma tradição que a governos de esquerda ( se a figura ainda existe ) que afundam as economias se sucedam governos de direita ( se a figura ainda existe ) tradicionalmente mais capazes de lidar com o maquiavélico mecado e com as suas pérfidas regras de funcionamento.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fardo

Carrego o fardo de uma vida mal conduzida  que se tornou de tal modo pesado que me custa cada vez mais a carregar  e que quase me deixa incapaz , nestes momentos , para prosseguir com a caminhada.

Circunstãncias diversas condicionaram para sempre a minha existência , à semelhança , é certo , do que acontece com todos , mas de que não fui competente para dominar a meu favor.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mudança da hora

A hora mudou na madrugada de domingo passado e os organismos - pelo menos o meu - levam o seu tempo a adaptar-se ao novo horário. A questão é económica , acho , e foi implementada , salvo erro , numa das legislaturas de Cavaco , mas há quem não se conforme com a medida ( um meu colega de faculdade é um acérrimo opositor à mudança da hora ) e há pouco , quando quase desfaleci de cansaço , lembrei - me desses que são contra a mudança da hora, com alguma simpatia pela causa. É que , na verdade , o nosso organismo não é própriamente uma máquina , por mais perfeito que seja , para que logo fique pronto a trabalhar com horários diferentes. Ele é a hora de acordar , a hora de almoçar e a hora de deitar , pelo menos , que sofrem uma pancadita que se não dá para quebrar , dá para amolgar um pouco.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Na casinha

O tempo passa a voar !

Ainda há pouco me debatia com as paixões da adolescência e com as assustadoras descobertas de uma personalidade tímida e acanhada , principlamente no que ao sexo oposto dizia respeito e agora aqui me encontro , muitos anos depois , em frente ao computador , escrevendo na tela branca , quase em silêncio , ainda cheio de temores , mais elaborados é certo , mas em muito , semelhantes aos que outroram me atormentaram.

Mas a acompanhar algum dramatismo em que me enredo , há um lado cómico que me impede de submergir por completo e deixar de vez este universo.

O dedo rompeu o papel e ali fiquei a olhar para a pontinha que se via pelo rasgo , matutando logo se por aquela ranhura não poderiam ter entrado no meu corpo mil e um vírus , bactérias ou coisas assim. A minha cabeça de imediato se pôs a relembrar por onde teriam andado as minhas mãos nos últimos momentos , calculando mentalmente o risco de ter trazido para casa algum micróbio com vontade de fazer turismo dentro do meu corpo.
Depois lembrei - me que tinha lavado as mãos e esfregado as pontas as unhas antes de me sentar na sanita e fiquei um pouco mais tranquilo...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Aniversário

Não gosto muito de fazer anos. Quero dizer , do dia própriamente dito. Fico ansioso e quase sempre um pouco deprimido.

O deste ano não fugiu à regra.

A certa altura do dia lembrei - me de convidar para jantar aqui em casa o J. e a S.. Uma desgraça! Acho que nunca comi tão mal nesta casa . Não fui eu o cozinheiro mas antes tivesse sido. Qualquer bifinho frito com batatas e arroz tinha suplantado de longe a sapateira e o arroz de tamboril que trouxe do restaurante. Espero que os meus amigos me perdoem mas compreenderei se não o fizerem. A coisa estava mesmo má.