domingo, 30 de setembro de 2012

Adiar

Apanhado nas malhas da procrastinação,estou a ser  arrastado para o fundo...

Guerra


Os povos matam - se entre si por força dos sentimentos pátrios que unem , quase umbilicalmente , os homens ao pedaço de terra onde nasceram e cresceram.

Impressiona! Sempre me impressionou esta tremenda força que faz com que a terra se sobreponha à vida e ao sangue e , por causa dela, o ser humano  o faça jorrar na sua superfície , regando -a , como se de um tributo se tratasse .

Fatal e terrível tributo esse...


Das guerras que a televisão não se coíbe de nos fazer chegar ao conhecimento ,  veio o meu pavor pelo  sangue derramado nos campos de batalha mas , simultaneamente , a profunda  admiração por aqueles que , quase sempre não questionados , tiveram ( e têm )  que dar o seu corpo e a sua vida , ao serviço de interesses que os ultrapassam , quantas vezes sórdidamente estabelecidos.

A guerra é uma incompreensível infâmia , uma enorme violentação do ser humano mas  que ele próprio estabelece e quantas vezes fomenta , ora em nome  da liberdade subjugada  ora das religiosas ou políticas convicções , ora em nome do sacrossanto Território , que normalmente tem  mais força que a própria vida , ora ainda em nome do vil e incontornável dinheiro.

domingo, 16 de setembro de 2012

R

Os poços secaram e há muito que a água deixou de correr nos riachos e ribeiros deste lugar onde hoje habito. O que não secou foi o desejo e vontade de tocar os teus lábios húmidos

terça-feira, 5 de junho de 2012

S

Enquanto te imaginei esculpida nas paredes do meu sonho, fui feliz.

Na viagem , só pensei em ti e então o verde parecia mais verde e as flores sorriam dos jardins com um resplandecente sorriso nas pétalas.

domingo, 15 de abril de 2012

A influência da Lua

Uma Primavera algo instável e fria traz consigo , apesar disso , umas abertas de sol e calor por onde os pássaros aproveitam para dançar e cantar quando andam em busca do seu alimento diário. Há já uns dias que faz um vento agitado e arreliador , consequência da instabilidade provocada , quiçá pelo minguante da Lua que  , pese embora ser muitas vezes esquecida pelo homem atarefado e ocupado com a sua vida , continua a exercer a sua determinante influência no planeta Terra da qual é satélite inseparável.

A nossa vida ou vidinha , o nosso trajecto , colectivo e individual , principalmente este ultimo , é na verdade uma grande ilusão , como por muitos já foi dito. Acabará um dia , quando o anjo da morte vier com a sua gadanha , pronto a ceifar definitavemente o trigo vital que todos os dias cresce e morre dentro de nós.
Devemos ficar irritados ou revoltados com isso?!...Devemos , em alternativa , cruzar os braços e esperar que a esquelética e negra figura venha ter connosco?!... Não , claro que não. Nem uma coisa nem outra. Paremos um pouco e ouçamos os pássaros a chilrear felizes , mesmo que o vento sopre com mais força numa Primavera cinzenta , observemos as flores a surgirem com vigor imparável nas árvores e aguardemos pelo dia em que serão fruto , reparemos no sorriso inocente da criança a brincar ou quando se sente protegida pelos seus progenitores, escutemos o barulho das ondas a adormecerem na areia da praia , sintamos o coração apaziaguado e feliz do nosso amor,...

Eu , que já andei na escuridão e derramei lágrimas de tristeza cinzenta , digo hoje que se viva a ilusão , que se respirem profundamente os aromas que a vida liberta e se tente ser amigo e companheiro do próximo - pessoa , animal ou vegetal - com um sorriso de esperança rendilhado no rosto.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Domingo

Um dia cinzento e sem graça a juntar a uns tantos outros que tenho tido ultimamente.

Interrogo - me com alguma ansiedade como vou sair desta situação e não encontro uma resposta , nem vislumbro qualquer saída.

A falta de animo apoderou-se de tal forma de mim que parce ser mais um cobertor quente do que uma fria paragem de autocarro num dia de inverno.Parece que me quer agarrar ao invés de eu o querer largar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Beco sem saída?

Ao longo da vida já tive momentos em que me senti encostado às cordas, quer dizer , em que me senti sem saída , digamos que , encurralado.

É o que sinto neste preciso momento , neste primeiro dia de Dezembro , em que apesar de não estar um frio de rachar , o tempo não convida própriamente a sair de casa.

Não sei o que fazer com a minha vida. Esse é o grande problema.

Devolvi , com grande desgosto , o Bogas o que foi certamente mais um acto que reflecte o meu actual estado de indecisão relativamente a quase tudo. Além disso ,a casa ficou mais vazia, perdeu vida e eu , uma companhia.

No sábado passado tive uma conversa curta mas marcante com o Carlos Canoto sobre as contas relacionadas com os trabalhos que ele aqui tem feito. Desconfio que nada mais será como dantes o que pode ser mau e prejudicial para a manutenção quer do Forte quer da Ladeira, as propriedades da familía.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Porto

Dormi directo como há muito não acontecia. Efeito do ansiolítico , efeito das conversas tidas horas antes quer com o psicólogo quer depois com os psiquiatras na urgência do hospital.Não sei.Sei que não me levantei como normalmente acontece.

Mas as coisas não começaram exactamente da melhor forma. O desiquilibrio é algum e fui perdendo a tranquilidade à medida que o tempo passou.Quando a São aqui chegou não estava totalmente calmo.Alguma ansiedade cresceu por razões várias , uma delas o meu pequenino cachorrito , com quem me preocupo demais, é certo.

Podia e devia ter dado à volta mas fui - me um pouco abaixo . A viagem não correu mal de todo mas uma série de obsessões foram surgindo à medida que o dia foi passando e houve momentos em que me senti muito incomodado e indisposto, cheio de impaciência

Urgência

É para ontem - disse-me com convicção.
Recostei - me no sofá e fiquei com as palavras dentro de mim, em silêncio.
É a sua vida que está em jogo . Se eu estivesse no seu lugar , acho que não tinha nada mais importante com que me preocupar , era mesmo a minha principal prioridade - afirmou ainda mais energicamente e , um pouco depois , continuou: já que veio até aqui , anda um pouco mais e vai já à urgência do hospital.

Saí um pouco atarantado , não muito mais do que estava , é verdade , e  , quase como um autómato, consciente contudo de que era minha vontade , conduzi o carro, com precaução redobrada , até às urgências ; mesmo assim , alguma  incerteza pairou ainda nos meus pensamentos mas a noção precisa da real necessidade da minha deslocação , foi mais forte e , com custo , lá consegui chegar e encontrar um lugar para estacionar no meio do emaranhado que é todo aquele hospital também no exterior.

O Benfica jogava ou ia jogar com o Man United e isso foi - me favorável. Menos gente na triagem muito menos gente para a especialidade a que recorri - a psiquiatria - e por isso , ao invés de ser «despachado» em dez ou vinte minutos , estive quase uma hora e meia comunicando as minhas angústias e fobias , o meu mitigado desespero , ouvido pacientemente , primeiro por um médico sénior e depois pela sua assistente , uma mulher ainda jovem , interessante e bonita  , com uns óculos pretos , de massa , a fazer lembrar uma intelectual activa ou professora engajada , que , com profissionalismo,calma e atenção me foi ouvindo , me foi interpelando e explicando o que comigo se está a passar. Ao mesmo tempo,com uma agilidade elegante e discreta ia dedilhando no computador o que eu dizia , imagino que de forma sintética para futuro acompanhamento em consulta.

Vim mais aliviado mas percebendo que tenho um difícil caminho pela frente.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Deserto

Apesar da chuva que tem caído , continuno a minha travessia do deserto , a duras penas , com momentos de silenciosa exasperação e de cortante angústia.

O " BOGAS"  , cachorrito que na passada sexta-feira resgatei a um eventual fim trágico ,veio dar uma «animação» à minha conturbada existência mas tem trazido aqui e ali alguma ansiedade e uns tantos incómodos nomeadamente os que se prendem com a limpeza daquilo que os seus ainda não educados esfíncteres deixam sair um pouco por todo o lado da casa.