terça-feira, 24 de julho de 2018

O céu misturava as cores fortes de fim de dia com nuvens algodoadas, agarradas umas nas outras, numa desordem perfeita como só a natureza é capaz de fazer. As pessoas que ali sentadas esperavam o início do espectáculo , talvez sem que disso dessem nota , estavam sob um silencioso manto de respeito e tranquilidade que , quase sempre , acontece nas horas mágicas dos entardeceres de verão. Pouco mais queria que sentir a tua proximidade , saber-te ali , perto de mim , respirando o mesmo ar . E lá estavas! Percorri os limites do largo , tentando perceber pelo rosto dos presentes o seu estado de espírito e , gravando escondido atrás da câmara do telemóvel , fui entendendo como o cerimonial montado imprimia uma postura educada e civilizada a todos os circunstantes. Olhei de novo o céu , com a luz do sol descendo para ocidente , umas nuvens cinzentas a norte e uma expectativa silente que corria para sul , lenta , achei que o cenário era quase perfeito. De dentro da casa começaram surgir os primeiros acordes